O ministro dasRelações Exteriores, Téte António, enalteceu, nesta quinta-feira (9 de Abril), no Rio de Janeiro, Brasil, a centralidade acrescida que o espaço marítimo do Atlântico Sul adquiriu.
A declaração do Chefe da Diplomacia angolana ocorreu na 9.ª Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS).
Na ocasião, Téte António felicitou a nova presidência da ZOPACAS e reconheceu o empenho de Cabo Verde para preservar a relevância política da organização num contexto internacional cada vez mais exigente.
Sublinhou, igualmente, que a reunião acontece num momento em que o Atlântico Sul assume crescente importância geopolítica, reiterando que o oceano deixou de ser apenas um espaço geográfico, passando a constituir um vector estratégico de segurança, desenvolvimento e afirmação dos Estados no sistema internacional.
O ministro das Relações Exteriores lembrou que a relevância acrescida que o espaço marítimo do Atlântico Sul adquiriu decorreu num cenário internacional marcado pela intensificação da competição geopolítica, pela reconfiguração das cadeias logísticas globais e pela pressão sobre os recursos naturais.
Para Angola, acrescentou, que o Atlântico Sul representa um espaço estratégico, de oportunidades e de riscos, que exige vigilância, coordenação e acção conjunta, com os Estados a assumirem-se como protagonistas.
No plano político, Teté António assinalou que a Declaração do Rio de Janeiro deve constituir um sinal claro de compromisso com a preservação do Atlântico Sul como zona de paz, livre de tensões geoestratégicas externas e orientada para a cooperação solidária entre os Estados membros.
Defendeu, também, que a Estratégia de Cooperação do Rio de Janeiro deve traduzir um compromisso político renovado, assente em acções concretas, coordenação efectiva e vontade política, com vista à obtenção de resultados tangíveis e ao reforço da credibilidade da ZOPACAS.
Apontou, ainda, que os desafios globais actuais se tornaram mais complexos e interligados, com destaque para o agravamento das ameaças à segurança marítima, incluindo o tráfico ilícito, a pesca ilegal e outras formas de criminalidade organizada, que fragilizam os Estados e comprometem o desenvolvimento sustentável.