Angola defendeu, sexta-feira (16 de Outubro), na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, a adopção de medidas concretas e mensuráveis para a eliminação total, verificável e irreversível das armas nucleares.
Ao intervir no debate temático da Primeira Comissão da Assembleia Geral sobre armas nucleares, o Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco da Cruz, sublinhou que a eliminação deste armamento constitui a única garantia contra o seu uso ou a ameaça da sua utilização.
Francisco da Cruz reafirmou o compromisso do país com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, destacando a sua importância para a segurança internacional e advogando uma implementação equilibrada dos seus três pilares, com particular atenção às obrigações de desarmamento previstas no Artigo VI.
Sublinhou o contributo do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, do qual Angola é signatária desde Setembro de 2018, para o reforço das normas internacionais contra este armamento.
Enquanto Estado Parte do Tratado de Pelindaba, Angola reiterou o seu apoio ao estatuto de África como zona livre de armas nucleares e à Comissão Africana de Energia Nuclear, e defendeu a concessão de garantias de segurança juridicamente vinculativas aos Estados que não possuem estas armas.
O embaixador Francisco da Cruz recordou, ainda, que Angola ratificou, em 2015, o Tratado de Proibição Completa de Ensaios Nucleares, tendo instado os Estados constantes do Anexo 2 que ainda não o fizeram a procederem, sem demora, à sua assinatura ou ratificação, conforme o caso.
Salientando que um desarmamento credível exige mecanismos eficazes de verificação, manifestou apoio à implementação da *resolução 80/53 da Assembleia Geral* e defendeu maior atenção às consequências humanitárias e ambientais de uma guerra nuclear.
No domínio da utilização pacífica da ciência nuclear, destacou que a eleição de Angola para o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), para o período 2026–2028, reforça o compromisso nacional com as salvaguardas, a segurança nuclear e radiológica, a cooperação técnica e o fortalecimento da capacidade reguladora.
Neste contexto, apelou ao acesso equitativo às aplicações nucleares na saúde, na agricultura e na gestão dos recursos hídricos, como contributo para a concretização da Agenda 2030 das Nações Unidas e da Agenda 2063 da União Africana, em conformidade com as obrigações internacionais.